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Aqueles

Há quem diga que foi-se o tempo da tempestade política. Pergunto-me desde quando a dita cuja está em voga sem dar descanso e, sinceramente, não encontro uma resposta. Antes se tratasse de um caso isolado. No entanto, o mundo é platéia da própria imersão nessa canastrice desastrada, permeada de atributos parceiros da futilidade. Ah, bons idos arcadistas, nos quais vigorava o que era simples e bom (adjetivação é coisa romântica, os imortais abominam; mas quem se importa?) na pureza de sua essência e ninguém se preocupava com originalidade! O negócio era ser fiel à própria natureza, sem máscaras, sem conversa fiada.

Mas, cá na terrinha, “os manos” agem por debaixo dos panos (seda indiana para alguns) e num alheamento quase inacreditável quanto às atitudes que lhos competem, numa impessoalidade realista vêem tudo, sabem tudo, passam a mão em tudo, mas são convenientemente invisíveis e não têm celulares. Interesses pequenos os movem para alguma coisa semelhante a um jazigo (uma townhouse em Nova York tem o mesmo efeito). Esses joguetes de manipulação são um nojo, seja quando o caso é Bush ou PSDB. O fato é que os menos culpados andam encurralados (a nação em peso para variar; “menos” culpados porque ninguém é santo). O presidente bem que tenta, mas o fato vemos todos os dias, basta que se vire a esquina ou se dê uma olhadinha na tv. Hospitais sucateados, escolas caindo aos pedaços, polícia corrupta, crianças nas ruas como um bando de animais abandonados, desemprego, presídios e instituições para menores infratores ao “deus dará e olhe lá”, e mais uma sorte infindável de outras perturbações da vida real na prática e na consciência.

Partidos que deveriam estar tomando o interesse do povo em função de ações e resultados, promovem “barracos” em que Excelências trocam rusgas em favor de interesses pessoais ou de algum afortunado pequeno grupo. Autoridades brincam de casinha ao passo que o país está em chamas, às portas do além mundo, todo mundo maluco e com razão.

Pressuposto sem base não cria possibilidade de argumento viável e daí para uma conclusão sem pé nem cabeça é dedução lógica. Isso se aprende na alfabetização, quando começamos a ter noção de redação e etc, e esses engravatados esquálidos ficam pagando o micón de falar de “poeira em alto mar” achando que o povo é idiota o bastante para cair na conversa (e na maioria das vezes não é?). Haja cinismo.

Depositamos nossa confiança de leigos nas mãos de homens que freqüentemente dedicam anos e anos para construir uma carreira política. Não estamos falando de ignorantes e ingênuos. São homens experientes, diplomados, que sabem perfeitamente o que é certo e errado de acordo com as regras que regem nossa institucionalidade humana. Eles sabem que onde estão, têm as rédeas de gerações nas mãos, pois as atitudes que promoverem vão repercutir na nossa rotina, em nossas famílias. No entanto, tal noção de responsabilidade parece ter sido esquecida. E esse espetáculo de desastres que andamos acompanhando não é obra do acaso.

Não é preciso vir com paus e pedras, à la PSTU, exigindo aos berros soluções de milagre. Não é assim que funciona.

Se os meios estão aí, jurídicos, políticos e achegados, que esses sejam as armas. Sobre a toalha branca, que sejam postas as propostas para mudanças reais e limpas, e que às pessoas certas sejam dadas as oportunidades do discurso para o alcance de resoluções passíveis de aplicação real. Bons exemplos nós temos em mãos: Cristóvam Buarque (que recentemente esteve no Programa do Jô) e Roberto Mangabeira Unger (recentemente entrevistado do programa Opinião Nacional), duas figuras íntegras as quais admiro muitíssimo. Os cito por serem expoentes, todavia, são como generais de uma legião.

Independente da existência de indivíduos quais estes, determinados a buscar respostas para grandiosas questões, é preciso haver uma predisposição para o intento de mudança. Sem isso, podemos dar de ombros e fazer pouco caso até mesmos das leis que criamos para regerem nossos dias, pois a partir de então nada vai mais valer a pena.

É factual.

Bom, à fuga desses assuntos fastidiosos, tratemos de algo mais leve: A estréia do adorável filme “As Crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa”, baseado na obra de Clive Staples Lewis. Naturalmente este é o primeiro longa de uma série (as crônicas foram publicadas em sete volumes, entre os anos de 1950 e 1956). Recheada de referências bíblicas, a obra de C. S. Lewis pode servir qual um maravilhoso método análogo de estudos. Quanto ao filme, mais fidedigno à obra de Lewis, impossível.

Escrito por Carlota Vasconcelos às 17h52
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