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Aqueles de novembro “O tempora, o mores” (ó tempos, ó costumes)
A ONU sopra o círio prateado (tem que ter estilo, além do que, é muita gente participando da empreitada), computando 60 anos. O Movimento Punk sopra a vela preta de sete dias ao som de Today your love, tomorrow the world (soprar velinha do bob esponja não dá!), computando 30 anos. Literatas e leitores apaixonados sopram as velinhas do centenário do mestre Érico Veríssimo (sorrindo e chorando). Corações melancólicos ou simplesmente encantados, alimentam a fogueira em honra a Cecília Meireles (homenageando seu aniversário de nascimento e de morte, em meio a lágrimas de saudade de um tempo que não viveram). Novembro acontece. É o começo do fim, o princípio do que vai ser e o prenúncio do que ainda virá. É quente como o diabo, não tem quase nada de primavera (aroma de flores de aloendro é o mínimo) e ainda é alimentado com paradoxos “ab hoc et ab hac” (disso e daquilo, a torto e a direito, sobre todas as coisas). Sufoco, ofegos, gemidos e suspiros banhados a cheiro de Channel n° 5. A loucura anda armada e o referendo não tem nenhuma relação com isso. Os banlieues da França pegam fogo, o Oriente Médio explode todo, a Ásia fenece em meio a tufos de penas de galinha, os EUA se enganam e tentam enrolar o mundo, a América latina vive o seu “faz de conta” digno de vigário matraqueiro, enquanto o povo consciente simplesmente protesta (o poder de ação se restringe a isso mesmo); e o Roberto Jefferson volta a advogar. Eita! Parar para refletir acerca dos idos deste tempo é um desperdício (mas para não cultivar o tédio, é preciso ir contra tal dita): o rumo já está mesmo pré-determinado e não difere muito do fundo de um poço. No entanto, o ritmo é desconcertante e meio marginal, lembrando um romance do Marcelo Mirisola, e incita pelo menos uma manifestação que se guarde pela História (a favor ou contra, não importa; a neutralidade é que não deve ser relevada). Pois vamos nós. A política na nossa terrinha, por exemplo, é de uma hipocrisia canastra sem tamanho (novidade...). Governistas ou opositores, todos andam de mãos dadas com o cinismo. A pureza dos áureos anos, escorreu pelo ralo feito caldo de cana estragado. A causa de todos, serviu de subterfúgio à manutenção condicional de uns poucos eleitos, e todo o referente à subjetividade (esperanças, sonhos), arraigada a uma função de glória (presidência) secou. O povo é burro e facilmente manipulável, o que é realmente triste. A gente PÕE A CULPA na TV (o veículo de cultura mais freqüente e acessível aos vários meios sociais), nos Ministros, na polícia, nos bandidos, na escola, na banda de brega. Todavia, a deficiência não está condicionada a uma única instituição, a um único grupo ou indivíduo. Ela está naquilo que não foi feito (e convenhamos, apreender dessa forma é mais convenientemente ameno e justo). A revolta vem das soluções que não foram aplicadas (e as tais ficam, obviamente, subentendidas). É irritante saber que todos sabem onde fica o interruptor, mas ninguém se prontifica em acender a luz. Ficam tateando no escuro, esbarrando propositalmente uns nos outros, adiando a felicidade humilde dos que querem apenas água potável para beber ou um prato de comida na mesa para saciar a fome. Como é possível escantear necessidades quais estas em função de valores que não sobrevivem à ação do tempo? Como podem enaltecer a ganância em depreciação à vida? Cá entre nós, isso não é coisa de gente, ao menos o tipo de pessoa que considero gente. A troca de tapas de luva entre PFL/PSDB e PT já deixou de ser baixaria para se tornar comédia de terceira categoria e daí para menos. Os cientistas políticos esperam qualquer coisa das próximas eleições. Quem tem fé, reza. Mas o Garotinho, que esteve recentemente aqui em Recife, é que está feliz. Taca gasolina no incêndio, quer mais é que tucanos, pefelistas e petistas se explodam, porque ele é quem, pretensiosamente, vai dar jeito nessa zona. Bom, quem pelo menos passa os olhos na programação evangélica de sábado da Rede Tv, já teve a oportunidade de ver, entre um sermão e outro de um pastor, o Garotinho fazendo aparição para uma entrevista ou discurso gratuitos. Cada um trabalha com o que tem em mãos, né mesmo?De qualquer forma, tem gente querendo bem mais que o “super” G. Tem quem queira um IMPEACHMENT! A gente disfarça com o canto da boca, coça o nariz e arqueia as sombrancelhas. O que diabos está acontecendo com essa oposição? Desespero é uma coisa, mas apelação desse jeito é um espanto. No entanto, nem para isso conseguem ser originais. Espelharam-se no caso da Venezuela. Entretanto, o Lula já avisou: está pronto para reagir como seu bom colega Hugo Chávez! Muito embora exista quem critique esse tipo de comparação (e com o Lula aderindo à causa). Afinal, na Venezuela eles falam espanhol. O povo pode até reclamar, mas a verdade é que o governo do nosso Lulinha está desencavando os podres daquela laia de gentalha e para fechar, vai acabar limpando o pardieiro (a esperança só sai da balada quando o sol está para nascer...). Mudando o lado do vinil (mais ou menos)...Anunciaram que o Bush estava para vir. Trocentos seguranças, mil câmeras e cachorros pra cheirar a bunda do povo. Só faltavam uns tanques e bazucas para finalizar o pacote. E não é que o homem (?) veio? Veio, comeu carne de boi do Mato Grosso, bebeu caipirinha, deve até ter dançado um calipso; depois foi embora, se pelando de medo de levar bomba. Esse tá lascado. Pode passar dez, vinte anos. Sendo reeleito ou não, tá marcado. Tem mais de mil a fim de cair em cima dele e não é pra comer não.
E não é que o Amaury Jr. entrevistou o Maluf? Engraçado é que o Amaury é outro com rabo preso. No caso dele, não pode desdizer nem fazer pouco de ninguém, melhor dizendo, não pode nem ter opinião. Afinal, ele é amigo de todo mundo (esse é o ganha-pão dele: ser amigo de gente, tenha essa gente pedigree ou não). E o Maluf ficou lá, chorando as mágoas e o Amaury alisando o bicho. FALA SÉRIO, meu irmão... Mas a notícia do ano é que é o must. O superávit primário foi até superado. A economia no PIB foi tanta, que tem dinheiro pra burro escorrendo pelas rebarbas. O negócio é dar umas cutucadas no Palocci. Hello, tio, acorda pra cuspir. E como é que foi aquele negócio do Adauto? Disse tudo, bem. Caixa dois é clichê desde que se entende por gente. Campanha eleitoral é declarada de um jeito no TSE e fechada de outro. Habitué que ninguém mais assume.
Que se dane, eu vou ao salão dar um trato pra fazer um shopping na sexta, comprar um livro do Burton Peretti e um cd da Fiona Apple.
Escrito por Carlota Vasconcelos às 01h54
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