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As horas da ausência de si mesmo, estão no apropriamento das nossas horas pelos outros; então nos esquecemos de nós, até que um reflexo de nossa imagem nos arraste para a realidade.

Passei um domingo incrível em Porto de Galinhas, galera animada, água cristalina, sol, sol, sol. Hoje, após o trabalho, uma ida ao museu de Arte Sacra, ao Gabinete Português de Leitura, ao Espaço Pasárgada, à Biblioteca Pública. Uma “andada” pelo Recife que eu amo.

O Parque de Maio (assim soa mais ditoso), é tão melancólico quanto o outono que seu nome representa. Um outono NE, morno, delicioso como muitas das coisas aqui.

Mas vou para qualquer lugar da Europa, ante a primeira oportunidade. Aprender com quem trabalha 12 horas por dia e ganha mais de 1,200 euros. Contradição ante o coração recifense que pulsa romântico nas linhas acima? Que nada. É o reflexo batendo na porta, atentando aos fatos...

Eu vou conseguir tudo o que eu quero. Ou é Europa ou Georgia (EUA); amizade é bom por isso! Lá tem casa, comida, roupa lavada e um emprego temporário, TDB. Já é Deus, já é. E seja o que o SENHOR quiser.

 



Escrito por Carlota Vasconcelos às 17h33
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Não tenho que saber tudo para saber alguma coisa e A crise dos "sem capital de giro"

O materialismo dialético do momento...o frenesi da busca, da dependência mecânica e determinante pelo sucesso como mero objeto constando no efêmero da História.

Quando se desestabiliza o foco, tudo estaca. Como candidata e pretensa estudante de Sociologia, tenho de estar inserida no contexto dos “poréns” e “vírgulas”, na AUSÊNCIA de padrão e de meta, que na verdade são um estresse que não me PERTENCEM MAIS!

Ora, sou fruto da biológica moralidade ética descrita por Richard Dawkins, fundamentada no ambicioso, orgulhoso e voluntarioso gene egoísta.

Ou um foco ou outro. Mas persuasão íntima anda à toque de culpa. Ou você nada ou se afoga? Ora, será que as pessoas são tão estúpidas a ponto de não pensarem na possibilidade da bóia?

Decepção ou desespero? Ora, eu consigo tudo o que quero. Entretanto, uma coisa de cada vez.

OBS.: SE VOCÊ NÃO ENTENDEU ESTE POST, EXPERIMENTE REALIZAR SETE ATIVIDADES DIFERENTES AO MESMO TEMPO. DEPOIS CONVERSAMOS.

 



Escrito por Carlota Vasconcelos às 11h30
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Identidade

Ser sociável tem um preço alto; a conveniência de ser uma dame, adorável e gentil em quaisquer circuntâncias, talha toda possibilidade de liberdade. É preciso sorrir o tempo todo, ser agradável o tempo todo; acontece que O TEMPO TODO é tempo DEMAIS!

Por anos a fio, tudo o que eu entendia por vida era meu quarto e o conteúdo dele. Eventualmente, uma ida à biblioteca ou ao shopping.

Agora, ter que me dispor de sol a sol...viajar para os treinamentos da empresa...fazer o que não me condiz por uma natureza que eu supunha minha...NOSSA, EU JÁ NÃO CONSIGO ENTENDER A MIM MESMA!

Preciso de um TEMPO.

SOCORRO!

Cadê o príncipe encantado?

Quando a meia-noite chegar espero que não seja tarde demais.



Escrito por Carlota Vasconcelos às 15h35
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Tô de saco cheio de blog. Talvez seja apenas uma fase, mas o fato é esse. Sabe qual que é? Não posso levar à frente uma coisa na qual não consigo ser plenamente sincera, fiel a mim mesma. Desse modo, estou fazendo isso agora. Um abraço aos amigos (os quais vou continuar visitando, na medida em que a memória me lembrar) e até breve ou sei lá.



Escrito por Carlota Vasconcelos às 21h01
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Mad About Lost

 

O fato carnavalesco, provado por tv + paixonite, é que sou a fã mais recente do maravilhoso seriado da ABC, exibido pela Sony e pela Globo (eca à parte): Lost.

Amo Matthew Fox; o elenco é uma loucura, só dá filé de um extremo a outro. E o melhor de tudo: até então, a história é boa! E põe boa nisso!

Desde Arquivo X eu não me encantava desse jeito por uma série. Me enamorei de Smallville, mas isso durou enquanto o SBT ainda exibia episódios inéditos.

Tô maluca por Lost. O psicológico à beira do precipício, tensão total, uma certa impotência diante dos trágicos fatos, uma dose de atração sexual, amor, violência e confusão; tudo batido no processador com um garrafão de mistério e disposição.

É tudo de bom!

Juízo por juízo, eu fico com o meu mesmo, com o controle remoto e assistindo Lost de preferência!

Viva Nenê de Vila Matilde! É cabeça!

E Mangueira tomando tenência!

Quanto ao Oscar...

Crash é o retrato mais verdadeiro dos EUA; mas daí a merecer a estatueta de melhor filme, são outros quinhentos.

Brokeback é tudo e mais um pouco; doce e incrivelmente forte, de uma fotografia extraordinária e uma direção super competente, devia ter recebido o prêmio que deu glória a Crash.

Memórias de uma Gueixa ganhou nas categorias adequadas ao próprio esforço de produção; foi bastante satisfatório.

Reese, uma fofura, ganhou como melhor atriz. ÊÊÊ! Tá certo, ela não é uma Judi Dench, mas conquistou o mundo com um carisma que certamente a Dame inglesa não tem.

E o extraordinário Philip Seymour Hoffman, brilhante em Capote, recebeu a consagração devida pelo fabuloso desempenho na película.

E todo mundo sai feliz! Ou quase.

 

 

 

 

 



Escrito por Carlota Vasconcelos às 11h31
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Aquele de Fevereiro

 

“Os homens têm raízes que desconhecem”.

Essa frase poderia ser minha e de qualquer um. Poderia ser a realidade de todos e de ninguém.

É, em verdade, um fato dentro do fato que é a vida. Eu vivo aqui, numa terra tão antiga quanto o é qualquer outra, pois todas tiveram uma mesma origem, apenas passaram por processos distintos de ocupação, em momentos divergentes.

Não minto ao dizer que de certa forma sou qual um ser xeno dentro de “casa”; preciso de um mapa para ir até o centro da cidade e tenho que olhar duas vezes para o destino que desponta no topo do ônibus, em letreiros grandes e brancos, para ter certeza do rumo.

Não sou “farreira” ou “baladeira”; gosto da tranqüilidade de uma praça arborizada, de uma biblioteca austera e de momentos de solidão; duma conversa animada nos fins de semana, um bom filme de vez em quando. Mas nada que atormente ou desestabilize demais meu ritmo.

Religiosidade? Há algum tempo eu ainda mexia poções em meu caldeirão e conversava com espíritos no meio da noite. Hoje, rezo quase todos os dias com um rosário nas mãos e recito um salmo da bíblia condizente ao dia específico da semana.

Permanência; tenho a estranha sensação de familiaridade diante do que ainda não conheço, apesar de não acreditar mais em reencarnação – larguei os desvarios juvenis de fadas, duendes e assemelhados no passado. Enterrei livros de magia numa gaveta da cômoda e não mais a abri.

Não tenho amigos demais, ou sequer alguns; uma adorável, que atura meu temperamento como eu aturo o dela.

Amores? Já desejei muitos, de várias formas. Todavia, aprendi que certas determinações de nossas próprias vidas não nos competem; surgem quando têm de surgir, sob a tutela de forças que não conhecemos bem.

Meditar sobre esses assuntos é uma tentativa simpática de compreender a natureza que me move e a tantos outros, irmãos de carne, “de choro e de vela”.

Todos costumam buscar um porto para abarcar corações.

Dizemos tanto sobre tanto, ansiamos “quereres” tão vastos quanto a própria imaginação e alimentamos inconformismos – uma das repudiosas maravilhas concernentes à eterna Evolução.

Mas no fim das contas, não sabemos o que pode nos completar; apenas desejamos o que aprendemos com alguns estranhos serem os sonhos certos para se cultivar.

E vamos levando.

Enterro minhas raízes em terras provisórias e em solos eternos, tudo ao mesmo tempo, quando troco palavras hostis com um ser querido ou gentilezas com um desconhecido. Percebo alimentar apenas esse estar no tempo, neste tempo, observando o vai e vem, e absorvendo, sofregamente, o que considero prático, o que é útil à minha incógnita sina.

Acordo todos os dias pensando nas possibilidades da manhã e do amanhã; esperando uma surpresa fantástica ou um simples sorriso de quem quero bem (o descompromisso do amor é adorável).

Esperando a presença, a ausência, descubro a cor de alguns medos humanos. Então me apego a uma esperança de eternidade, sob as estrelas, sobre a terra.

E vou morrendo meus dias.

 

 

 



Escrito por Carlota Vasconcelos às 21h39
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Aquele apenas para fins de atualização

 

Sem pesquisa prévia em jornais, meditação hindu, sessão de hata yoga ou consulta ao SPC.

É Ano Novo!

Grilhões largados, quebrados em dezembro; recomeço com gosto de verão e cheiro de terra molhada de chuva; sabor de manjericão fresco, colhido no jardim.

Minha virada foi marcada por uma febre 40°, com direito a calafrio de bater o queixo e uma crise afônica. A tempestade faz parte do processo de bonança, a gente bem sabe. Agora estou recuperada e a ponto de bala. Em follow up, projetos engatilhados que só dizem respeito a mim mesma e uma tendência de quebra de rotina.

Como possibilidade,  a Secretaria de Turismo da cidade do Recife brindou com uma oportunidade; inovou com um passeio pra turista nenhum colocar defeito: city tour pelo Recife Assombrado! Fim de tarde e noite adentro, os guias vestidos a caráter (capuz, capa e maquiagem), levam grupos em ônibus a recantos soturnos da cidade, onde narram lendas as mais assustadoras. No cenário das histórias, os turistas (ou moradores mal informados), tomam conhecimento de causos de arrepiar a espinha e botar medo no mais corajoso marmanjo. Se você nunca veio ao meu Estado, muito menos a Recife, sugiro que prove o tira gosto no site Recife Assombrado e mude seus planos de férias, porque vir aqui vale a pena por mil e um motivos, principalmente para dar um solavanco na adrenalina e “espalhar o sangue”, como diria meu pai.

Uma outra coisa que fiz, além de balançar a rotina com possibilidades de agenda, foi esquematizar minha programação particular, tendo por base a tv aberta. Olha no que deu:

 

GLOBO: Jornal Hoje (nem sempre), Jornal Nacional (nem sempre), Malhação (vez em quando), Belíssima (quase nunca), Corujão;

 

REDE CULTURA: Provocações, Entrelinhas, Café Filosófico, Roda Viva, Opinião Nacional, Le Journal, Repórter Eco, DOCTV, Planeta Terra, Ética, Grandes Cursos, Balanço do Século XX (série), Cliparte, Fortíssimo (vez em quando), Anos Incríveis (Wonder Years, que eu AMO DEMAIS!);

 

CANAL FUTURA: Alô Vídeo Escola, Adoro Minha Cidade, Cine Conhecimento, Que Dia Feliz; Sala de Notícias em Debate (vez em quando), Um Pé de Quê?,  Umas Palavras;

 

REDE GÊNESIS: Câmera plus, Cine Gospel, Cine Master, Desfrutando a Vida Diária (não sou evangélica nem nada, mas os filmes e documentários são interessantes e as palestras de Joyce Meyer também não deixam a desejar);

 

MTV: Aeon Flux (muito bom);

 

SBT: Smallville (e olhe lá);

 

REDE RECORD: ...

 

REDE TV: ...

 

BAND: ...

 

Para espairecer, ando lendo. Terminei “A Sombra do Vento” de Carlos Ruiz Safón e já o dispus em 1° lugar no ranking zero bala deste ano. Agora estou lendo um de Italo Calvino, que parecia bem mais atraente na estante (“Se um Viajante Numa Noite de Inverno”); no entanto, vou ter que engolir, porque se Italo é Italo, deve haver algo de relevante no que ele escreve.

Para terminar, mando o atalho para este joguinho, que a maioria já deve conhecer. Mas se você não tem o que fazer...Teste Da Balsa.

Escrito por Carlota Vasconcelos às 19h40
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Aquele com as Estrelas – O Natal de 1989

Quando criança, até mais ou menos os dez anos, eu costumava passar minhas férias de verão (dezembro e janeiro) e de inverno (julho) no interior, dividindo minha estada entre o casarão de minha avó materna e o sítio de meus bisavós. Minha diversão se fazia entre árvores, flores e ervas afins, no silêncio dos pomares, em meio à terra preta e barro. Eu preferia brincar com pedras e galhos secos a me divertir com bonecas. Encantava-me com a beleza dos jardins da rústica casa grande do sítio e com a tranqüilidade do açude existente no vale conseqüente a ela. Mas meu deslumbramento e meu afeto eram maiores pela vila onde se localizava o casarão onde minha mãe passou parte de sua infância e onde cresceu. Essa vila surgiu em volta de uma Usina de produção de açúcar, a dita sendo bem antiga. Meu avô materno nasceu em 1917 e o pai dele já trabalhava neste lugar desde bem moço; Trata-se, pois, de um estabelecimento industrial precedente ao ano de 1900. O fato é que eu aproveitava as férias de inverno neste casarão secular, brincando nas ruas da pequena vila. Ás vezes eu tinha a impressão de que não existia ninguém vivendo lá, pela grande tranqüilidade predominante no local. Nunca havia pessoas nos arredores, nem mesmo na praça, que ficava bem diante do casarão. Essa praça, além de dispor  num pequeno galpão central, uma Associação de Moradores, dispunha de um goreto, que dava para a sóbria e imponente igreja. Eu adorava aquela praça e suas árvores antigas e frondosas, donde pendiam cipós, nos quais eu me balançava para depois me jogar e rolar na grama macia e viçosa. Aquele lugar antigo era extraordinariamente mágico e encantador. Cheirava a terra molhada, a mato, a bagaço de cana-de-açúcar maturando. Imersa na magia daquilo tudo, eu acabava aderindo ao silêncio dominante. Não lembro de brincar fazendo barulho ou gritando. A quietude predominava e inconscientemente eu respeitava isso. Era como um sentimento prematuro de veneração à história incutida em cada árvore da praça, em cada casa e seus portões todos azuis. Ali reinavam valores que nas grandes cidades são ignorados ou desconhecidos. Cada dia de santo era festejado com um fervor febril e deliciado. E o natal era a festa mais sagrada. No verão de 1989, no dia 24 de dezembro, passei o melhor natal de que me lembro. Todos éramos crianças (meus primos e eu) e toda a família estava reunida. Meu avô ainda estava vivo, bem como meu tio-avô e o irmão mais velho de minha mãe. Todos sorriam e pensavam nos presentes. Ninguém demonstrava preocupações (denotando desapego quanto ao futuro e ausência de temor unido a ele). Apenas aguardavam, numa euforia contida, a hora da ceia, a meia-noite e o aroma do espumante enchendo a casa. Permeada de uma luminosidade fosca, remetendo a luz de velas, minha mente vagueia na recordação nublada dos cômodos. Depois de galgar os degraus da escadaria e cruzar o terraço comprido, transpasso a soleira da porta de entrada, chegando ao living. A sala de visitas ficava à direita, abraçada por janelas envidraçadas e cortinados de cetim, ocupada por um sofá e um par de poltronas com assento e encosto de veludo. A partir de tal ambiente é que se dava o acesso ao quarto de casal, que tinha uma porta dupla de acesso à varanda do outro lado. Com as portas para o living, ficavam dois quartos de visita. Seguindo pelo lob que se dispensava a seguir daí, existia à esquerda o quarto de costura e à direita a sala de jantar. Em seguida, vinham a copa/cozinha e o quarto da dispensa. Por sucessão, vinha o cômodo do fogão à lenha, o depósito ao qual se chegava depois de subir uma escada e aos fundos o quarto da empregada. Depois, então, vinha o enorme quintal e a garagem. Naquele lugar encantado, havia dias em que o vento carregava sons e a brisa se encarregava de entregar sussurros em falas desconhecidas, fosse nas curvas que abraçavam a praça, fosse nos cômodos austeros e pouco iluminados do casarão. Séculos se confundiam na arquitetura em redor e fantasmas de todos eles pareciam brincar de esconde-esconde nas rachaduras daquele tempo. Cheiro de café fresquinho, ao fim do vespertar; bolo de trigo e pão de leite com manteiga, servidos na copa; o antiquíssimo relógio de corda do living badalando à hora da ave-maria (que tocava no rádio, às seis em ponto); crianças aquietadas pelo lanche da tarde (eu entre elas) enquanto as tias arrumavam, sobre a mesa redonda de tampo de mármore do living, em torno de uma pequena  árvore enfeitada, os pacotes de presentes guardados à sete chaves no quarto de costura. Após o lanche, todos já bem arrumados, corríamos, primos e irmãos, para as janelas do living, apoiando-se de joelhos sobre cadeiras e sofás, à espera ansiosa da chegada do resto da família. Um tio. Mais outro. Outra tia. Um sobrinho. Um primo em segundo grau. Às sete a casa já estava cheia, a tv ligada, a vitrola tocando aquele mesmo velho disco que já embalara uma dezena de natais passados, vovó preparando bandejas na copa/cozinha auxiliada por filhas e netas. No living, cadeiras e sofás ocupados, espaço tomado, todos bebendo, beliscando doces e salgados, crianças inquietas correndo desvairadamente entre risadas de um lado para o outro, enlouquecendo a prima mais velha que cuidara da decoração no umbral das portas. Dois minutos para a meia-noite. Crianças mais cheias de energia do que às seis. Corre-corre: “Cadê o champagne?!”, “Peguem as taças!”, “Desliguem a tv!”, “Aumentem o volume do rádio!”, “Onde está o Marcelo??”, “Todos juntos aqui!!”. Silêncio. Só mais um minuto. Do aparelho antigo, a voz macia do locutor fazia a contagem regressiva (como no Ano-novo) e todos contavam juntos. “...Um, zero!”, “Feliz Natal!”, entre abraços e risadas, “Feliz Natal!”. Brindes e mais brindes, “Bendito seja o nome do Senhor!”. Ah, que saudade. Amigo secreto, hora de entregar os presentes. No sorteio, ocorrido uma semana antes, tirei o nome de tio Tim (apelido legal. Aliás, todos os meus tios têm apelidos, as tias também não escapam: Tio Tim, tio Camarão, tio Néu, tio galegão, tio galego, tio Carlão, tio Zito, tio Deca, tia Lita, Tia Mira, tia Nem, tia Guida, tia Cida, tia Cula, tia Dite e por aí vai...). Dei de presente uma camisa e ganhei um jogo de chá completo, com mesinha e tudo. Comi bolo com glacê e recheio de doce de leite, peru e salgadinhos, doces de coco e chocolate e bebi litros de refrigerante. Fui dormir como uma pedra e acordei no dia seguinte mais feliz do que jamais estive. Palatos e odores guardados, relembrados. O tempo é outro, mas aquela que fui me ajudou a ser aquela que sou e tudo relacionado àqueles idos, de uma forma ou de outra, sobrevive em mim como o resultado de um processo enriquecedor. É gostoso lembrar de coisas tão boas. Hoje, alguns sorrisos daquele ano não estão mais aqui. E agora, cada um festeja o natal em suas próprias casas, isolados, trocando friamente por telefone, os cumprimentos que antes eram presentes e efusivos, repletos de afeto. Há anos eu não visito aquela vila, cujo casarão já não pertence a minha famíla e agora é propriedade tombada pelo patrimônio histórico. Mas a minha vida se fez, em parte, na vivência naquele lugar. E eu vou lembrar disso para sempre.



Escrito por Carlota Vasconcelos às 11h56
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Aqueles

Há quem diga que foi-se o tempo da tempestade política. Pergunto-me desde quando a dita cuja está em voga sem dar descanso e, sinceramente, não encontro uma resposta. Antes se tratasse de um caso isolado. No entanto, o mundo é platéia da própria imersão nessa canastrice desastrada, permeada de atributos parceiros da futilidade. Ah, bons idos arcadistas, nos quais vigorava o que era simples e bom (adjetivação é coisa romântica, os imortais abominam; mas quem se importa?) na pureza de sua essência e ninguém se preocupava com originalidade! O negócio era ser fiel à própria natureza, sem máscaras, sem conversa fiada.

Mas, cá na terrinha, “os manos” agem por debaixo dos panos (seda indiana para alguns) e num alheamento quase inacreditável quanto às atitudes que lhos competem, numa impessoalidade realista vêem tudo, sabem tudo, passam a mão em tudo, mas são convenientemente invisíveis e não têm celulares. Interesses pequenos os movem para alguma coisa semelhante a um jazigo (uma townhouse em Nova York tem o mesmo efeito). Esses joguetes de manipulação são um nojo, seja quando o caso é Bush ou PSDB. O fato é que os menos culpados andam encurralados (a nação em peso para variar; “menos” culpados porque ninguém é santo). O presidente bem que tenta, mas o fato vemos todos os dias, basta que se vire a esquina ou se dê uma olhadinha na tv. Hospitais sucateados, escolas caindo aos pedaços, polícia corrupta, crianças nas ruas como um bando de animais abandonados, desemprego, presídios e instituições para menores infratores ao “deus dará e olhe lá”, e mais uma sorte infindável de outras perturbações da vida real na prática e na consciência.

Partidos que deveriam estar tomando o interesse do povo em função de ações e resultados, promovem “barracos” em que Excelências trocam rusgas em favor de interesses pessoais ou de algum afortunado pequeno grupo. Autoridades brincam de casinha ao passo que o país está em chamas, às portas do além mundo, todo mundo maluco e com razão.

Pressuposto sem base não cria possibilidade de argumento viável e daí para uma conclusão sem pé nem cabeça é dedução lógica. Isso se aprende na alfabetização, quando começamos a ter noção de redação e etc, e esses engravatados esquálidos ficam pagando o micón de falar de “poeira em alto mar” achando que o povo é idiota o bastante para cair na conversa (e na maioria das vezes não é?). Haja cinismo.

Depositamos nossa confiança de leigos nas mãos de homens que freqüentemente dedicam anos e anos para construir uma carreira política. Não estamos falando de ignorantes e ingênuos. São homens experientes, diplomados, que sabem perfeitamente o que é certo e errado de acordo com as regras que regem nossa institucionalidade humana. Eles sabem que onde estão, têm as rédeas de gerações nas mãos, pois as atitudes que promoverem vão repercutir na nossa rotina, em nossas famílias. No entanto, tal noção de responsabilidade parece ter sido esquecida. E esse espetáculo de desastres que andamos acompanhando não é obra do acaso.

Não é preciso vir com paus e pedras, à la PSTU, exigindo aos berros soluções de milagre. Não é assim que funciona.

Se os meios estão aí, jurídicos, políticos e achegados, que esses sejam as armas. Sobre a toalha branca, que sejam postas as propostas para mudanças reais e limpas, e que às pessoas certas sejam dadas as oportunidades do discurso para o alcance de resoluções passíveis de aplicação real. Bons exemplos nós temos em mãos: Cristóvam Buarque (que recentemente esteve no Programa do Jô) e Roberto Mangabeira Unger (recentemente entrevistado do programa Opinião Nacional), duas figuras íntegras as quais admiro muitíssimo. Os cito por serem expoentes, todavia, são como generais de uma legião.

Independente da existência de indivíduos quais estes, determinados a buscar respostas para grandiosas questões, é preciso haver uma predisposição para o intento de mudança. Sem isso, podemos dar de ombros e fazer pouco caso até mesmos das leis que criamos para regerem nossos dias, pois a partir de então nada vai mais valer a pena.

É factual.

Bom, à fuga desses assuntos fastidiosos, tratemos de algo mais leve: A estréia do adorável filme “As Crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa”, baseado na obra de Clive Staples Lewis. Naturalmente este é o primeiro longa de uma série (as crônicas foram publicadas em sete volumes, entre os anos de 1950 e 1956). Recheada de referências bíblicas, a obra de C. S. Lewis pode servir qual um maravilhoso método análogo de estudos. Quanto ao filme, mais fidedigno à obra de Lewis, impossível.

Escrito por Carlota Vasconcelos às 17h52
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Aquele com o Poder

 

Atos heróicos, coragem acima de qualquer argumento, integridade que faria arrepiar até os cabelos de Gandhi (ele raspava a cabeça, mas e daí?). Não é super-homem, mas podia ser; não é homem aranha, mas podia ser; podia ser um sem fim de ditos cujos, mas ele é, simples e unicamente, Harry Potter.

O bruxinho idealizado e romanceado por J. K. Rowling parou Recife. Em sua estréia, salas lotadas há pelo menos uma semana, uma vez que os ingressos tiveram venda antecipada de duas semanas nas melhores salas dos shoppings da cidade.

Na pré-estréia, sessões à meia-noite e um em ponto; todas as salas à disposição.

Entretanto, nesta sexta-feira, a febre dos Pottermaníacos superou as expectativas. No terceiro piso, as salas da UCI do Shopping Tacaruna pareciam pequenas para a demanda de espectadores; filas imensas e duplas formavam caracóis e davam mil voltas. Cabeças e mais cabeças, com bocas que só gritavam um nome: “Harry! Harry!”. O hino dos jovens, crianças, adultos, GLS e torcida do flamengo ecoava escadas rolantes abaixo e alcançava os guichês do segundo piso. Desespero para entrar, reforço na segurança, meninas caracterizadas como personagens da série. Ansiedade, algumas lágrimas, muita pipoca, refrigerante e balas. Demora em liberar a entrada, certa dificuldade para encontrar uma poltrona com vista privilegiada. Briga e troca-troca com quem escolheu a sessão dublada no lugar da legendada, gritos e choramingues por conta de um assento ruim. Trailler comprido, muita reclamação. Ante a ameaça de começo do longa, respeitoso silêncio. Ante a confirmação, aplausos efusivos e sorrisos de satisfação.

Em pouco mais de duas horas de filme, muitas risadas, lamentações e suspiros. Mas ao fim, novos aplausos, garantindo que a briga para conseguir um bilhete em plena estréia tinha valido a pena.

De modo geral, a película do bruxinho foi boa. Como se trata de uma obra baseada num livro longo, quem possui uma certa sensibilidade, mesmo sem ser fã, percebe que houve um esforço tremendo do diretor para assegurar a continuidade; entretanto, nota-se os vãos (quase desfiladeiros) que se interpõem entre um momento e outro no filme. A gente sente que falta alguma coisa, aquilo que certamente, faria a obra ficar perfeita.

De novidades, tem-se as cenas fabulosas do torneio em efeitos especiais incríveis, além da presença de doses fabulosas de bom humor (como exemplos, a “briguinha” entre Ronny e Harry, a roupa ultrapassada usada pelo ruivinho no baile, além das aparições inconvenientes da repórter Rita Skeeter na rotina de Harry mesmo durante o torneio Tribruxo, chegando a divulgar numa reportagem que ele formava com Hermione um apaixonado casal).

Como seria um tanto problemático rodar tudo com fidelidade ao livro (seria um filme demasiadamente longo), “Harry Potter e o Cálice de Fogo” acabou saindo como um filme que “dá pro gasto”.

Mas falando como fã: O filme tá tudo de bom!



Escrito por Carlota Vasconcelos às 16h23
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Aqueles com a hipocrisia e os idos do desvario

A mentira seduz por seu poder de convencimento e possibilidade: grandeza e majestade que podem surgir de simples “sim e não” ou um pouco mais que isso. Entretanto, a dita cuja é donzela asquerosa e frágil; é um buraco, que dependendo do grau de intimidade estabelecido, pode se mostrar um projeto de espelho d’água ou uma cova. Naufrágio iminente: Política, sociedade. Olhar para os lados e tentar encontrar uma sombra de implemento que carregue consigo ideais justos (não simplesmente puros e éticos), parece enredo de novela venezuelana ou utopia própria destes idos dos anos 2000. Os conceitos estão sendo rapidamente substituídos, como produtos com prazo de validade estourando. Pretensiosos surgem e fazem declarações sobre o futuro e na verdade acabam definindo-o, roubando, desse modo, em sua urgência e ansiedade, a possibilidade das pessoas formularem suas próprias idéias de amanhã. A bem da verdade, não é saudável pensar no dia seguinte; é um desperdício. Vale é agir no hoje, fazer acontecer agora e deixar o vespertar surgir sozinho. “Nenhuma idéia vale uma vida”(putz); mas o que é uma vida senão a consumação de idéias? Morremos todos os dias, defendendo nossas causas e de outras pessoas, seja no trabalho, na faculdade, enfim, na rotina. E isso é mutável; ontem (entenda por isso o período que for conveniente: meses, dias, anos) foi algo, amanhã (meses, dias, anos) certamente há de ser diferente. Mas sempre hão de ser movidos por um fundamento, por mais fútil que possa parecer, como o da aula de piano ou do cursinho de inglês. Não podemos criar um “não-mundo” paralelo; isso não funciona aqui, é um projeto-fiasco. Precisamos encontrar relevância na nossa insignificância; criar um diálogo entre duas realidades sem quebrar os limites do bom senso, da consciência e da ética. Na prática, percebe-se a manifestação efusiva dos extremos: Na política, apunhala-se o PT. Pescoço do Dirceu, pescoço do Palocci. A omissão não exime Lula da responsabilidade administrativa; ele não pode simplesmente declarar desconhecimento dos casos que estão suscitando a revolta tanto da oposição quanto de alguns aliados e governistas. Entretanto, ações paralelas de caso pensado, promovidas por indivíduos previamente preparados, é que estão, realmente, provocando os resultados que causam indignação. Liberar emendas em troca de uma assinatura (para impedir a prorrogação da CPI dos Correios) foi praticamente o cúmulo; ou todo mundo está admitindo cinicamente a safadeza ou tem um batalhão de amigos ursos fazendo a história correr desse modo. Enquanto a trama esquenta, naturalmente existe quem surja para tirar um proveito básico. José Serra já se tornou o exemplo clássico. Claro que ele tem argumento! Tudo é muito legitimável quando o negócio é política. Para ele, o PT quer nessa fase, persuadir e definir o conjunto com o rótulo da contravenção. Cá entre nós, Serra se acha muito santo, tanto quanto os parceiros dele. Todavia, certas afirmações entregam sua causa e soam como um puxão de orelha discreto, transbordante de ironia, tipo: o abuso não impede o uso, mas, por favor, faça bem feito...É cada um por si e nenhum por todos. O Miguel Reale Jr. (ex-ministro da Justiça) endoidou o cabeção. É dele a iniciativa de petição do impeachment do Lula e o danado está empenhado. A coisa está marcada para fins de janeiro, com ares de vingança faraônica... Cabeção por cabeção, a gente assiste de camarote a balbúrdia (que já tinha abocanhado as relações entre o Legislativo e o Executivo) chegar ao Judiciário. Ações do Congresso revistas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) são a prova da zona. O Judiciário está sendo “politizado”, o que acaba tornando-o um terceiro turno das decisões do Congresso. Que o diga José Dirceu, exemplo mais representativo do caso. E já que a farra é grande, e está se alastrando Américas afora, Hugo Chávez fez a sua parte também. Orgulhoso, não levou na esportiva as alfinetadas do Vincent Fox e em rede nacional cantou uma musiqueta crítica pro “pau mandado” do presidente norte-americano. Pra quem já mandou Bush ir catar coquinho, isso não é nada. Mas pra quê o dito cujo foi fazer isso? Não deu outra: crise diplomática. Cada um mandou buscar seu respectivo cônsul na terra alheia e até agora tudo bem. Não vale é levar isso pra baixaria e estabelecer no lugar da crise diplomática, uma crise armada. Já estão chegando a cogitar isso sim, mas guerra é o que ninguém quer ver, principalmente na “vizinhança”. Afinal, a Venezuela é logo ali...Enquanto uns fogem da forca, outros põem a corda e chutam o tamborete. O ambientalista Francisco Anselmo ateou fogo em si mesmo, num protesto contra a instalação de usinas de álcool e açúcar na bacia do rio Paraguai, em pleno Pantanal. Jornalista, dono de revista, fundador de uma das mais antigas ONGS do Brasil, ele morreu neste domingo. Medito sobre a causa, sobre o cara. Pergunto-me, caso ele não tivesse feito isso, o que estaria acontecendo com o projeto das usinas na Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Agora, a maioria dos deputados é contra a instalação. A imprensa ás vezes é um nojo, manipula e distorce a verdade como lhe apetece; mas neste caso, agiu como aliada. Antes, uma terça parte dos deputados era a favor e outra terça parte estava encima do muro. Depois dessa, cada vez mais me convenço que toda mudança pede um certo sacrifício e por mais penoso que possa parecer, se faz necessário. Não julgo se tenha que ser uma vida ou um grito, mas tem de ser alguma coisa. Que Deus o tenha. Em tempos de inquietações, tem quem se sinta entediado. Uma organização terrorista inteira está de saco cheio. Por isso, elegeu um novo antagonista para sua desvairice de tiritar os queixos: Sua Majestade, Elizabeth II. A Al Qaeda está doida para cair em cima da vovucha do príncipe William, considerada por Ayman al-zawahiri (2° homem de Osama) inimiga do Islã, dos mulçumanos e da mãe dele. O fato é que a declaração veio por bem justificar os últimos atentados ocorridos em Londres. A notícia veio a público por intermédio do The Sunday Times, que teve acesso ao vídeo completo divulgado em sites no Oriente Médio “com o intuito de recrutar terroristas”(!!). É na passagem do cru para o cozido que surge a cultura; quando deixamos de ser animalescos, para caminhar em essência intelectual e arbítrio moral, moldados à la Platão, “maquiando cadáveres para comê-los sem ter que ferir a ética e a estética” (disse Pepe Carvalho), é que somos racionais. Humanos. Hipócritas. Farinha tipo 2. A crueldade surge desse processo, bem como uma centena de outros atributos. E demos o nosso espetáculo de crueldade e covardia, com o caso do “trote” dos militares aos novos sargentos, recente pauta na TV. A política é subsídio para a afirmação da ética e vice-versa; entretanto, uma não vive necessariamente dentro da outra... A primeira admite ações que para a segunda são consideradas impraticáveis. No entanto, para que a vida tenha o mínimo sentido de ordem, ambas precisam encontrar um entendimento e o tal, vem num fundamento comum entre as duas: liberdade. Liberdade como critério da vida ética. Democracia como critério da vida política. A prática, apesar de se basear na teoria, constantemente toma rumos alheios a esta. E mesmo que a estrada se apresente qual um caminho talhado em alterações, é o torto que temos de percorrer, e que só tem razão de ser quando passamos por ele. Que a marca que deixemos por rastro promova uma revitalização desse percurso. Para melhor, é claro. Escolha não é uma questão de originalidade, mas de coragem, assim como muitas coisas na vida.



Escrito por Carlota Vasconcelos às 01h31
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Aqueles de novembro “O tempora, o mores” (ó tempos, ó costumes)

 A ONU sopra o círio prateado (tem que ter estilo, além do que, é muita gente participando da empreitada), computando 60 anos. O Movimento Punk sopra a vela preta de sete dias ao som de Today your love, tomorrow the world (soprar velinha do bob esponja não dá!), computando 30 anos. Literatas e leitores apaixonados sopram as velinhas do centenário do mestre Érico Veríssimo (sorrindo e chorando). Corações melancólicos ou simplesmente encantados, alimentam a fogueira em honra a Cecília Meireles (homenageando seu aniversário de nascimento e de morte, em meio a lágrimas de saudade de um tempo que não viveram). Novembro acontece. É o começo do fim, o princípio do que vai ser e o prenúncio do que ainda virá. É quente como o diabo, não tem quase nada de primavera (aroma de flores de aloendro é o mínimo) e ainda é alimentado com paradoxos “ab hoc et ab hac” (disso e daquilo, a torto e a direito, sobre todas as coisas). Sufoco, ofegos, gemidos e suspiros banhados a cheiro de Channel n° 5. A loucura anda armada e o referendo não tem nenhuma relação com isso. Os banlieues da França pegam fogo, o Oriente Médio explode todo, a Ásia fenece em meio a tufos de penas de galinha, os EUA se enganam e tentam enrolar o mundo, a América latina vive o seu “faz de conta” digno de vigário matraqueiro, enquanto o povo consciente simplesmente protesta (o poder de ação se restringe a isso mesmo); e o Roberto Jefferson volta a advogar. Eita! Parar para refletir acerca dos idos deste tempo é um desperdício (mas para não cultivar o tédio, é preciso ir contra tal dita): o rumo já está mesmo pré-determinado e não difere muito do fundo de um poço. No entanto, o ritmo é desconcertante e meio marginal, lembrando um romance do Marcelo Mirisola, e incita pelo menos uma manifestação que se guarde pela História (a favor ou contra, não importa; a neutralidade é que não deve ser relevada). Pois vamos nós. A política na nossa terrinha, por exemplo, é de uma hipocrisia canastra sem tamanho (novidade...). Governistas ou opositores, todos andam de mãos dadas com o cinismo. A pureza dos áureos anos, escorreu pelo ralo feito caldo de cana estragado. A causa de todos, serviu de subterfúgio à manutenção condicional de uns poucos eleitos, e todo o referente à subjetividade (esperanças, sonhos), arraigada a uma função de glória (presidência) secou. O povo é burro e facilmente manipulável, o que é realmente triste. A gente PÕE A CULPA na TV (o veículo de cultura mais freqüente e acessível aos vários meios sociais), nos Ministros, na polícia, nos bandidos, na escola, na banda de brega. Todavia, a deficiência não está condicionada a uma única instituição, a um único grupo ou indivíduo. Ela está naquilo que não foi feito (e convenhamos, apreender dessa forma é mais convenientemente ameno e justo). A revolta vem das soluções que não foram aplicadas (e as tais ficam, obviamente, subentendidas). É irritante saber que todos sabem onde fica o interruptor, mas ninguém se prontifica em acender a luz. Ficam tateando no escuro, esbarrando propositalmente uns nos outros, adiando a felicidade humilde dos que querem apenas água potável para beber ou um prato de comida na mesa para saciar a fome. Como é possível escantear necessidades quais estas em função de valores que não sobrevivem à ação do tempo? Como podem enaltecer a ganância em depreciação à vida? Cá entre nós, isso não é coisa de gente, ao menos o tipo de pessoa que considero gente.  A troca de tapas de luva entre PFL/PSDB e PT já deixou de ser baixaria para se tornar comédia de terceira categoria e daí para menos. Os cientistas políticos esperam qualquer coisa das próximas eleições. Quem tem fé, reza. Mas o Garotinho, que esteve recentemente aqui em Recife, é que está feliz. Taca gasolina no incêndio, quer mais é que tucanos, pefelistas e petistas se explodam, porque ele é quem, pretensiosamente, vai dar jeito nessa zona. Bom, quem pelo menos passa os olhos na programação evangélica de sábado da Rede Tv, já teve a oportunidade de ver, entre um sermão e outro de um pastor, o Garotinho fazendo aparição para uma entrevista ou discurso gratuitos. Cada um trabalha com o que tem em mãos, né mesmo?De qualquer forma, tem gente querendo bem mais que o “super” G. Tem quem queira um IMPEACHMENT! A gente disfarça com o canto da boca, coça o nariz e arqueia as sombrancelhas. O que diabos está acontecendo com essa oposição? Desespero é uma coisa, mas apelação desse jeito é um espanto. No entanto, nem para isso conseguem ser originais. Espelharam-se no caso da Venezuela. Entretanto, o Lula já avisou: está pronto para reagir como seu bom colega Hugo Chávez! Muito embora exista quem critique esse tipo de comparação (e com o Lula aderindo à causa). Afinal, na Venezuela eles falam espanhol. O povo pode até reclamar, mas a verdade é que o governo do nosso Lulinha está desencavando os podres daquela laia de gentalha e para fechar, vai acabar limpando o pardieiro (a esperança só sai da balada quando o sol está para nascer...). Mudando o lado do vinil (mais ou menos)...Anunciaram que o Bush estava para vir. Trocentos seguranças, mil câmeras e cachorros pra cheirar a bunda do povo. Só faltavam uns tanques e bazucas para finalizar o pacote. E não é que o homem (?) veio? Veio, comeu carne de boi do Mato Grosso, bebeu caipirinha, deve até ter dançado um calipso; depois foi embora, se pelando de medo de levar bomba. Esse tá lascado. Pode passar dez, vinte anos. Sendo reeleito ou não, tá marcado. Tem mais de mil a fim de cair em cima dele e não é pra comer não.

E não é que o Amaury Jr. entrevistou o Maluf? Engraçado é que o Amaury é outro com rabo preso. No caso dele, não pode desdizer nem fazer pouco de ninguém, melhor dizendo, não pode nem ter opinião. Afinal, ele é amigo de todo mundo (esse é o ganha-pão dele: ser amigo de gente, tenha essa gente pedigree ou não). E o Maluf ficou lá, chorando as mágoas e o Amaury alisando o bicho. FALA SÉRIO, meu irmão... Mas a notícia do ano é que é o must. O superávit primário foi até superado. A economia no PIB foi tanta, que tem dinheiro pra burro escorrendo pelas rebarbas. O negócio é dar umas cutucadas no Palocci. Hello, tio, acorda pra cuspir. E como é que foi aquele negócio do Adauto? Disse tudo, bem. Caixa dois é clichê desde que se entende por gente. Campanha eleitoral é declarada de um jeito no TSE e fechada de outro. Habitué que ninguém mais assume.

Que se dane, eu vou ao salão dar um trato pra fazer um shopping na sexta, comprar um livro do Burton Peretti e um cd da Fiona Apple.



Escrito por Carlota Vasconcelos às 01h54
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Aquele Mesmo

 

Imiscuir-se no papel do protagonista é o que está em voga na peça. Quem tiver o microfone em mãos, sente-se o dono do tabuleiro da baiana. Poleto e Buratti já colhem seus louros...Fidel só mandou um agrado ao Presidente, umas caixas de bebida, pois Lula é bom degustador. Os homens já aumentaram: foi dinheiro mesmo, foi doleta que chegou. Sabe o que é dólar? Pois é. Tem auxiliar de Palocci metido na história, Delúbio servindo de coordenador. Puseram até o Ministro cubano do Interior para tocar chocalho no meio do enredo lamacento. Vixe, estala os dedos pra quebrar a urucubaca.

Mas ainda existe a menção da dúvida. Difamação? A propósito, isto também consta na lista de programação do Planalto; Carlos Wilson que o diga, compactuando com a baixaria do cartaz do Bornhausen. Tancredo Neves já passou por isso (aquele negócio de foto com foice era de lascar) e o Bush conhece bem o esquema (mas quando o caso é ele, a gente apóia).

Sir Conan Doyle admitiu espelhar-se em Poe e Gaboriau para criar Holmes. José Saramago, que não é santo nem desbocado, mas é Nobel, admitiu que os ideais esquerdistas não morrerão. Tim Burton admite que é meio gótico.

Podemos tirar de Sir Doyle, a lógica de Holmes: não aprenda o que não será útil ao seu trabalho; do Sr. Saramago, colhemos a esperança; do Tim Burton...a ironia.

Conselho por alerta, essa galera de governo está metendo os pés pelas mãos e dando nó com gravata barata. Armando esse circo de cinismos (eita, o Dirceu é o auge do show), alimentam uma selvageria a galope do ridículo e ainda tem quem aplauda (José Serra alfineta com seus comentários desinteressados e evasivos) e o Fernando Henrique deve estar soltando fogos de artifício pela madrugada na praia de Copacabana.

Sei que tem gente chorando de rir desse furdunço (que só se compara a surrealismo de terceira categoria com a novela América) e o povão, dando de ombros (“nóis tem é conta pra pagar!”). O trenzinho tá andando, soltando fumaça preta a cada curva e ninguém é doido de saltar antes da próxima estação. Ninguém quer pagar o pato de ver de perto e tentar apreender a situação às raias da realidade. Assistir ao Jornal Nacional é muito fácil, dar “boa noite” ao William Bonner, é melhor ainda. Mas perceber que a Amazônia já virou quase por completo uma fogueira, que a febre aftosa está desestruturando a vida de muita gente honesta que suou horrores pra conseguir comprar cada boi que agora é simplesmente sacrificado...ninguém agüenta. Ver que o tráfico já está até montando cabina de bater cartão em porta de favela (o traficante vende porque tem quem compre; se tem quem se submeta, eu não tenho nada com isso), que tem gente morrendo de fome e em porta de hospital num país como esse...olha, quem se dispõe a se dar conta de certas verdades, sente que o trabalho que deveria estar sendo executado para reverter tal situação, sequer alcançou um degrau de certeza.

Nessas horas de pratos limpos, todo mundo tem receio. E a questão não é o futuro, é o hoje, pois a gente vive esse momento e é nele que nosso poder de ação habita. Bom, enquanto nossa terra verde queima e o submundo faz juízo pelos recantos, as luzes brilham para as frivolidades desse poderio de araque, nas mãos de uma gentalha da qual só Deus tem piedade. As possibilidades do amanhã são cultivadas nas horas do agora. Piedade, piedade...

O Lula não tá nem aí com coisa alguma, fez 60 (de “rombo”) e instituiu um museu com o próprio nome no mezanino do Palácio. O danado confidenciou a Carlos Wilson que sua biografia já está completa. Isso é coisa que se diga? Parece que está com o pé na cova (ou então está muito desejoso por uma). O fato é que ele está tão conformado, que já declarou: se não se reeleger, vai apoiar o Ciro (PSB). Sigla por sigla, o governo ptista já está colhendo os frutos da baixaria. Lúcia Hippólito, cientista política, editou “Por dentro do governo Lula”. Só fala de Waldomiro Diniz e mensalão. Pode? Ah, pode.

E nesse andô de holofotes, tem quem esteja fugindo da guerra, mas tem bicho doido querendo voltar pra ela. “Sivirino” Cavalcante é a prova viva e pretensiosa. Anda tesudão pelo retorno (a múmia?), se esgueirando pelos gabinetes dos parlamentares, correndo atrás de quê? Adivinha $.

Eita novelão brabo. É bispo dizendo que “o coitado do Lula” está sofrendo um golpe de direita, é tucano jurando de pé junto e mão dada que o trelelê é responsabilidade de quem começou...que começa com Lu e termina com La! Meu, se essa história tivesse um pouco de classe, Earl Derr Biggers podia ter sido o autor (lembra do Tim Burton? Sarcasmo ironia, a gente se ama...).

Mas o caso é que essa gentinha acha que Jacuzzi é nome de cachorro e anda colocando trufas efervecentes em bacia de bolo pra tomar banho de cuia. É esse povo que toma recamier por cama de baixinho, brunch por nome de roqueiro, rattan sintético por capivara empalhada prensada, galheteiro por jardineiro especializado em cortar galhos, cachepô por qualidade de chapéu, consomê como apelido de fominha mal-educado e MDF como sigla de imposto novo para carros. Pra quê roubar tanto se com esse dinheiro todo não podem comprar o mínimo de bom senso? O filósofo italiano Antonio Negri bem pode ter dito sobre o PT “Pode ser corrupto, mas é aberto aos movimentos sociais”. No entanto, em plenos idos de Halloween, quer coisa mais “Tim Burton” do que isso? E para arrematar, o Maluf está curtindo os ares de Campos do Jordão.Você fica sem saber se molhou a roupa de tanto chorar ou de tanto rir.

 

 

 



Escrito por Carlota Vasconcelos às 02h43
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Cornelius Castoriades já chamou essa terra de pseudo-democracia, assim como tantos outros. E é por razão de conivência quanto à opinião dele, que fiz questão de lembrá-la.

Lá vamos nós para as urnas amanhã. É sim ou não. Parece simples, mas a pergunta é um fiasco e tem gente que nem sabe por quê diabos está votando. A bem da verdade, esse referendo é um malogro sem tamanho. Claro que o governo não poderia simplesmente decretar a proibição, não. Tinha de jogar o abacaxi de coroa grande pro povo, que sequer sabe o que significa a palavra “referendo”. Eita joguete medíocre... a maioria pensa que essa votação é a glória, que vai libertar da guerra de pista. Acontece que violência não atende por calibre, mas por bases de formação. Se a política aqui não fosse essa lambança ridiculamente cínica e houvesse um interesse real do governo, não em simplesmente propor mudanças, mas impor rigorosamente uma educação adequada ao povo, mesmo um pé rapado teria condições para dispor de uma postura convenientemente ética diante da sociedade e agir como homem direito.

O fato, é que meu voto é NÃO. Porque eu meteria a colher, achando estar agindo qual boa samaritana, votando SIM? Eu não sou a favor dessa proibição estúpida que vai desestruturar a vida de muita gente que sequer conheço. Alguém parou para pensar nos funcionários das indústrias armamentistas? Quanta gente honesta, pais e mães de família, vai acabar perdendo o emprego por conta de uma decisão que no fim das contas, não vai influir em

nada na diminuição da criminalidade? A lei só vai valer para as armas legais. As ilegais vão continuar passeando de mão em mão, de bandido para bandido. Afe! Se for para discutir o assunto mais profundamente, um post não vai bastar. Seria necessário rever todo o sistema de política vigorante e meter o pau, literalmente, em muito engravatado da paróquia. A propósito, quem teve a oportunidade de assistir o último programa PROVOCAÇÕES do Antônio Abujamra, conferiu a entrevista que ele fez com o senador Cristóvam Buarque. Para quem não viu, o homem deu a receita de um Brasil perfeitamente estruturado em apenas dois minutos de bate papo, com dados verídicos de porcentagens e afins. A solução existe, apenas as pessoas erradas adiam essa concretização (clichêzão, mas é a verdade, ué).

Mudando o lado do vinil... arma por arma, o fato é que tem uns sapatos por aí que matariam muito bem. Mulher esperta e de coragem, usa essas plataformas “da moda”: super salto, uns quinze centímetros, com apliques de fibras e metais. Uma coisa horrorosa. Mas que mata, mata. Experimenta tacar o salto num pivete mão boba...se sobrar alguma coisa, é a conta do hospital.

Mas em meio a tanta zoação de refendo, Dom Quixote vem fazendo 400 primaveras. O Miguel é que foi feliz...só escreveu esse romance, o danado. Todavia, foi o bastante (e como!). Marcou o início do romance espanhol, com a ironia e o humor (em seus dois pólos) tão característicos ainda hoje em obras dos conterrâneos do tio Miga. Renascimento, disse o profê do cursinho. Certo, certo. Do coxote (parte de armadura), veio Quixote. Trocadilho espirituoso...no entanto, não diminui a grandiosidade do personagem. E o don Miguel de Cervantes: o cara que venceu não com a espada, mas com a caneta (da próxima vez eu tento ser original).

 



Escrito por Carlota Vasconcelos às 22h26
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Aquele Desvario do Sono

 

Sonhei que o Lula estava palestrando aqui na Bienal, a respeito da importância do inhame na agricultura (tudo a ver...). Tarde de sol, dia lindo em Recife, Centro de Convenções lotado, bancada de Ministros e políticos em geral como apoio moral. Depois de algumas horas de discurso, reforçando que a macaxeira ficava em segundo lugar, o presidente estacou de repente ao lançar um olhar esbugalhado para um ponto qualquer no espaço. Na verdade ele viu uma cena quase fantasmagórica : o ACM dançando com um gremilin. Todavia, sem assombro, ele se inspirou ou endoideceu e botou pra quebrar na tribuna. Pegou o microfone e danou-se a cantar “I don’t want to miss a thing” do Aerosmith, com lingüinha e tudo. Tinha uma criançada nas escadarias comendo pipoca caramelada e que começou a fazer coro. O Gil já com o violão à tira colo, arranhou as cordas e cantarolou junto. O Zé Dirceu, com a macaca, levantou-se, brandindo um canudo de papel e começou a reclamar da aparelhagem de som como se fosse o João Gilberto. Num canto, assistindo a tudo junto com outros civis anônimos, Tom Cruise falava aquela coisa do “Você me completa” como em Jerry Macguire, me fazendo derreter inteira do outro lado da platéia e marcava, de longe e por meio de sinais, de nós viajarmos para a Irlanda. Eu dizia “Irlanda, não. Conhece o Tirol austríaco?” e ele “Não”, de longe. “Então vamos! Innsbruck, Innsbruck!”, eu sorria e ele batia palmas.

E o Lula, nesse meio tempo repetia o refrão sem parar “Don’t want to close my eyes, I don’t  want to fall asleep...” e o Gil, ao fundo “Açaí, guardiã, zum de besouro um ímã, clara é a tez da manhã...” . Daí o Berzoini saía dos bastidores e se chegava no Dirceu : “Aquilo não tem na sapataria, Patrick Estrela. Mandei buscar na Argentina e me cobraram uma taxa só porque o fornecedor é primo do Jet li”. O Dirceu ficou muito puto, correu para a tribuna e tomou o microfone do Lula: “Eu não tenho culpa de ter um relógio Cartier!”. O gremilin doido que tava agarrado com o ACM, assustado, correu pra cima da galera que gritou, histérica. O bicho tomou o microfone do Dirceu e disse com todas as letras “Eu sou PC Farias, eu sou PC Farias!”. Afe, o Lula desmaiou no palco e o Berzoini tomou a dianteira pra resolver o impasse. Não deu outra; cantou “Cobra, Chapéu e Palito” da Xuxa enquanto que eu tentava, desesperadamente, alcançar o Tom Cruise no meio da fuzarca. Ele de terno, todo lindo, a mão aparecendo sobre a onda de gente doida que corria para todos os lados. Eu, vestida num longo branco, praticamente uma noiva. No fim das contas nos alcançávamos, ele pegando minha mão esquerda com a dele. De soslaio vi uma fitinha do Senhor do Bonfim em seu pulso e por fim sorri. Nessas alturas, o Dirceu já tava numa de “Elas estão descontroladas...Ha Hu elas estão descontroladas”. Num canto, como fiteiro, Fernando Henrique Cardoso resmungava um “Assim não pode, assim não dá”. Pense num mocorombo. Saí de lá de mãos dadas com o Tom Cruise, mas não entendi bulhunfas do sonho (os meus costumam ser doidos mesmo e o engraçado é que eu lembro dos detalhes, nesse caso, até da roupa que o FHC usava: uma camisa havaiana e um shortinho bufento; que horror).

 



Escrito por Carlota Vasconcelos às 04h54
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